Ciência

Um reino
à parte.

Cogumelos não são plantas nem bichos. Aqui contamos a biologia, a história e o cuidado por trás das espécies que vão para os nossos frascos.

Ilustração dos cogumelos Reishi, Juba de Leão e Cordyceps lado a lado

Biologia

Nem planta, nem bicho

Os fungos formam um reino próprio, o reino Fungi. Estudos de evolução mostram que eles são parentes mais próximos dos animais do que das plantas: os dois grupos fazem parte de um mesmo ramo da árvore da vida, chamado Opisthokonta.

Quitina

A parede das células

As células dos fungos são envolvidas por uma parede feita de quitina, o mesmo material que forma a casca dos insetos e dos crustáceos. As plantas, por outro lado, usam celulose.

Sem clorofila

Comem de fora para dentro

Fungos não fazem fotossíntese. Eles liberam substâncias no ambiente, digerem o material à sua volta, como madeira, e depois absorvem o que foi digerido.

Desenho de um cogumelo: acima da linha do solo fica o corpo de frutificação, com chapéu e pé; abaixo, uma rede de fios finos, o micélio. Corpo defrutificação Esporos Micélio

Micélio e corpo de frutificação

A maior parte de um fungo fica escondida. É o micélio: uma rede de fios finíssimos, as hifas, que cresce dentro da madeira, do solo ou de outro material.

O que chamamos de cogumelo é o corpo de frutificação: a parte que surge para fora e forma os esporos, as “sementes” microscópicas do fungo.

Nos extratos Mush Valley usamos só o corpo de frutificação, o cogumelo propriamente dito.

Como ler um nome científico

Hericium erinaceus (Bull.) Pers.

A primeira palavra é o gênero, a segunda é a espécie, sempre em itálico. As abreviações depois indicam quem descreveu. Entre parênteses fica quem descreveu primeiro: Pierre Bulliard, em 1781. Fora dos parênteses, quem levou a espécie para o gênero atual: Christiaan Persoon, em 1797.

Espécies

A ficha de cada cogumelo dos nossos extratos.

Reishi

Ganoderma lucidum

Grupo
Poliporo: em vez de lâminas embaixo do chapéu, tem poros finíssimos por onde saem os esporos.
Na natureza
Cresce na base de troncos e tocos de árvores de folhas caducas, como os bordos. Chapéu em forma de rim ou leque, castanho-avermelhado e brilhante, como se fosse envernizado.
O nome
Lucidum quer dizer “brilhante” em latim. Reishi é o nome japonês; em chinês, ele se chama lingzhi.
Curiosidade
É raro na natureza. Desde o começo dos anos 1970, a maior parte do reishi vem de cultivo, em toras de madeira, serragem e grãos.

Juba de Leão

Hericium erinaceus

Grupo
Cogumelo de espinhos: forma uma massa arredondada, de 5 a 40 cm, coberta de espinhos pendurados de 1 a 5 cm.
Na natureza
Nasce em árvores de madeira dura, como faias e bordos, no fim do verão e no outono da América do Norte, da Europa e da Ásia.
O nome
Hericium e erinaceus querem dizer “ouriço” em latim. Na China é o “cogumelo cabeça de macaco”; no Japão, yamabushitake, em referência aos yamabushi, monges ascetas das montanhas.
Curiosidade
Embora seja nativo da Europa, entrou na lista vermelha de espécies ameaçadas de vários países europeus.

Cordyceps

Cordyceps militaris

Grupo
Ascomiceto, um ramo diferente do reishi e da juba de leão. Forma pequenas “clavas” laranja, de 1 a 8 cm de altura.
Na natureza
Comum no Hemisfério Norte, nasce de pupas de insetos enterradas no solo. No cultivo, cresce em outros meios, como o arroz.
O nome
Foi descrito por Carl Linnaeus em 1753, com o nome de Clavaria militaris. É a espécie-tipo do gênero Cordyceps, que reúne centenas de espécies.
Curiosidade
Na Ásia ele vai para a panela: entra em caldos de frango, sopas de osso de porco e hot pot. Na China, é aprovado como novo alimento.

História e cultura

Gente e cogumelos, há milhares de anos

Dos Alpes à cozinha japonesa, os fungos aparecem na bagagem, na arte e na mesa de muitos povos.

China

O lingzhi aparece em pinturas, porcelanas e na decoração da Cidade Proibida, e era usado como amuleto de boa sorte.

Japão

Reishi é palavra japonesa. E a juba de leão ganhou por lá o nome dos yamabushi, monges ascetas das montanhas.

Na mesa

A juba de leão é servida na alta gastronomia, de preferência ainda jovem. O cordyceps entra em caldos e no hot pot.

  1. 5.300 anos atrás

    Ötzi, o homem do gelo encontrado nos Alpes em 1991, levava fungos entre os seus pertences.

  2. 1753

    Carl Linnaeus, o pai da classificação dos seres vivos, descreve o cordyceps com o nome Clavaria militaris.

  3. 1781

    No mesmo ano, William Curtis descreve o reishi como Boletus lucidus, a partir de coletas na Europa, e Pierre Bulliard descreve a juba de leão como Hydnum erinaceus.

  4. 1797

    Christiaan Persoon dá à juba de leão o nome que ela tem até hoje: Hericium erinaceus.

  5. 1881

    Petter Karsten cria o gênero Ganoderma, tendo o reishi como espécie de referência.

  6. Anos 1970

    O cultivo do reishi se espalha e passa a ser a principal origem desse cogumelo.

  7. 1987

    O biólogo Thomas Cavalier-Smith propõe que fungos e animais são parentes próximos, ideia apoiada depois por estudos genéticos.

  8. 1988

    Sai na China o primeiro registro de cultivo da juba de leão, em toras, garrafas e sacos.

Qualidade e transparência

Do cogumelo ao frasco, sem segredo

  1. Matéria-prima

    Só o corpo de frutificação de cada espécie, comprado já pronto para a extração.

  2. Duas extrações

    Uma em água e outra em álcool, cada uma no seu tempo. Depois, as duas partes se juntam em um só frasco.

  3. Rótulo aberto

    Três ingredientes: cogumelo, água e álcool. Sem glúten, sem lactose, sem aditivos, conservantes ou corantes.

  4. Ficha técnica por lote

    Cada lote sai do laboratório com ficha técnica, número de lote, data de fabricação e validade.

Ver como fazemos a dupla extração

Fontes

  • Royal Botanic Gardens, Kew. Birch polypore (Grow Wild).
  • Opisthokont; Lingzhi (mushroom); Hericium erinaceus; Cordyceps militaris. Wikipedia, consulta em outubro de 2026.
  • Mushroom. New World Encyclopedia.